junho 29, 2004

Eros 0

anaïs vem e reclama da água o que é teu.
Nin que a maiúscula ferve no poente do corpo.

Anaïs Nin lendo o livro do meu mar acende esta pele. Vou de encontro ao fortuito. Como se ocasião fosse palavra masculina. Predador é tão parecido com perdedor.

Conquistado.

Agora sim, agore sofre o corpo no retardar do prazer. Ela olhou. Conteve o sorriso. Conteve-se na generosa suavidade do não-vou-ter-um orgasmo.
Mulheres. Não. Não são raça. Nem diferente. O mesmo mundo nos acorda para a entrega. A mesma diferença nos pica o arrepio das estrelas cadentes.

O mesmo quarto.

E ocasião perdeu o seu género. A sua tesão.
Perdedor. Predado. Preso. Desamarrado em crescendo. Escalo a cama como se o corpo dela fosse uma montanha. Alpinista da minha contenção observo.

A sua anca.

Aquele olhar que demora. Que incandesce. Que incandeia. Que sobe e sabe. A ternura na sua violência de arremesso. A tremura.

Vem que eu.

Vem para aqui. Onde. Já não nos sabemos. Mas provamos ainda do néctar de estarmos. Reconhecemos no fogo dos olhos. Do lacrimejar lento. No cristal que se rompe. Como tecido.

E os aromas agora.

Violentas-me minha doçura. Minha mulher tão mulher que nem minha. Nem mia. Só o gemido do corpo nos acorda ainda.

E ainda não.

Sabes. Provas que eu serei. Não montanha. Ombro e foz que não brotará. Nem beberá das tuas investidas.

E outra vez desaguas.

Uma outra ainda que durmo já sem ter provado do meu prazer. E não rebento. Rebentas-me nos braços.

Em loucura e lucidez.

Publicado por daniel veiga em junho 29, 2004 10:53 PM
Comentários

muitobonito!

Afixado por: ale em julho 1, 2004 11:40 AM

Gostei de ler este texto, assim como outros teus.
Uma palavra vibrante, a tua.

Afixado por: eugênia em julho 5, 2004 06:11 AM